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Passos em alerta: estudo revela seis áreas de alto risco para inundações e deslizamentos

Passos em alerta: estudo revela seis áreas de alto risco para inundações e deslizamentos
Reprodução G1

A cidade de Passos, no interior de Minas Gerais, enfrenta um desafio crescente em sua infraestrutura urbana e segurança pública. Um levantamento recente, conduzido pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), identificou seis áreas de alto risco para inundações e deslizamentos de terra. O estudo aponta que 166 residências estão diretamente localizadas nesses pontos críticos, impactando a vida de mais de 660 pessoas e acendendo um alerta sobre a necessidade urgente de políticas públicas de prevenção de desastres.

A iniciativa do Serviço Geológico do Brasil visa fornecer subsídios técnicos para que as autoridades municipais e estaduais possam desenvolver estratégias eficazes de mitigação e proteção. Em um país onde eventos climáticos extremos se tornam cada vez mais frequentes, a identificação precisa dessas vulnerabilidades é o primeiro passo para salvaguardar vidas e patrimônios.

O Mapeamento Detalhado das Áreas de Risco em Passos

O trabalho de campo do Serviço Geológico do Brasil, realizado entre os dias 11 e 15 de maio deste ano, envolveu um levantamento prévio de dados existentes e visitas conjuntas com a Defesa Civil. Essa metodologia permitiu a identificação de indícios claros que caracterizam as áreas de risco, oferecendo um panorama detalhado da situação em Passos.

Entre os locais mapeados, a Avenida da Moda se destaca como um ponto crítico de inundação. Comerciantes da região relatam transtornos recorrentes durante períodos de chuva intensa. Cléber Rodrigues Machado, gerente de uma autoescola, descreve cenários em que a água invadiu o estabelecimento, danificando veículos e até derrubando motocicletas de alunos. “Quando começa a chover, é aquela correria para tirar todos os veículos da porta”, relata, evidenciando a rotina de apreensão.

A veterinária Patrícia, que mantém uma clínica na mesma avenida há 15 anos, corrobora as queixas. Segundo ela, mesmo após obras de contenção, o problema persiste, afetando o acesso de clientes e a rotina do comércio. “Quando chove forte, a água ainda toma conta da rua de trás, que é justamente por onde muitos clientes precisam passar para chegar até aqui”, explica.

Além da Avenida da Moda, o estudo classificou como áreas de risco um trecho da Rua Cuiabá, no Bairro Jardim Colégio. No Bairro Canjeranos, a situação é ainda mais grave na Rua Paraguai, onde uma casa foi interditada pela Defesa Civil devido ao risco iminente de deslizamento. A família desabrigada recebe atualmente aluguel social, um paliativo diante da perda da moradia. As Ruas Pará e Goiás, ambas no Bairro Bela Vista, também foram incluídas no mapeamento, reforçando a abrangência do problema na cidade.

A Urgência da Prevenção e as Vozes da Comunidade

A identificação dessas áreas de risco em Passos é um passo crucial para a segurança da população. O geólogo Júlio César Lana, do Serviço Geológico do Brasil, enfatiza que o objetivo principal é “subsidiar as políticas públicas de prevenção de desastres em todo o território nacional”. Essa base de dados permite que o poder público atue de forma mais assertiva, direcionando investimentos e ações para onde são mais necessários.

A engenheira ambiental Thatyane Daniel Barbosa ressalta a importância do mapeamento, mas alerta para a necessidade de intervenções concretas. Para os riscos de deslizamento, ela sugere estudos de solo e obras de contenção, como os muros de gabião. Já para as inundações, a especialista aponta para a importância de projetos de drenagem eficientes e a manutenção constante da rede de escoamento, garantindo que as galerias estejam limpas e desobstruídas.

As histórias dos moradores e comerciantes da Avenida da Moda e da família da Rua Paraguai ilustram o impacto direto dessas vulnerabilidades. A convivência com o medo de inundações e deslizamentos afeta não apenas a segurança física, mas também a saúde mental e a estabilidade econômica de centenas de cidadãos. A comunidade clama por soluções duradouras que transformem a realidade de apreensão em um ambiente seguro e previsível.

Soluções e Respostas do Poder Público Local

A Defesa Civil de Passos informou que já tinha conhecimento das áreas mapeadas pelo Serviço Geológico do Brasil. Em resposta aos riscos de inundação, o órgão destacou que uma bacia de contenção está em andamento, uma medida fundamental para controlar o volume de água em períodos chuvosos. Para os locais com risco de deslizamento, o monitoramento é frequente, intensificado durante a época das chuvas, com visitas de equipes da Defesa Civil, da Secretaria do Meio Ambiente e da Secretaria de Obras.

Gilmas Neves de Oliveira, coordenador da Defesa Civil, assegura que não há registro de risco de desabamento iminente nas áreas monitoradas, mas reforça a vigilância constante. “Nós fazemos acompanhamento, principalmente quando vai chegar na época das chuvas. É mais constante as nossas visitas”, afirma. Além do monitoramento, a fiscalização para impedir novas construções em áreas de risco é uma prioridade, visando evitar o agravamento da situação e a exposição de mais pessoas ao perigo.

A complexidade dos desafios exige uma abordagem multifacetada, combinando mapeamento técnico, engenharia preventiva, fiscalização rigorosa e, acima de tudo, a participação e conscientização da comunidade. O estudo em Passos é um lembrete de que a segurança urbana é uma construção contínua, que demanda atenção e investimento permanentes.

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