A Justiça de Minas Gerais determinou a realização de um exame de insanidade mental para avaliar as condições psicológicas de Paola Stefany Neto Cirino. A mulher é a principal acusada pelo assassinato de um casal de idosos ocorrido em junho deste ano, no bairro São Pedro, região nobre de Belo Horizonte. A decisão suspende o andamento do processo criminal até que a perícia psiquiátrica seja concluída.
O despacho foi assinado pelo juiz Alexandre Magno de Resende Oliveira, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Belo Horizonte. O magistrado acatou o pedido da defesa, justificando que existe uma “fundada dúvida” sobre a integridade mental da ré no momento em que os crimes foram cometidos. A medida visa esclarecer se a acusada possuía plena capacidade de compreender o caráter ilícito de suas ações à época dos fatos.
Contexto clínico e alegação de surto
A defesa de Paola Cirino sustenta que a diarista teria agido sob efeito de um “surto psicótico”. Para fundamentar a solicitação do exame, foram apresentados aos autos prontuários médicos que indicam um histórico de instabilidade emocional e episódios de ideação suicida. Documentos apontam que a acusada já havia buscado atendimento psiquiátrico de urgência em instituições como o Hospital André Luiz e o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Ribeirão das Neves.
Além do histórico de acompanhamento, a decisão judicial destaca o uso contínuo de medicamentos controlados, especificamente clonazepam e quetiapina. A avaliação pericial, que será conduzida pelo Instituto Médico Legal (IML), deverá analisar se o uso dessas substâncias ou a condição psicológica prévia da ré interferiram em sua capacidade de autodeterminação durante o crime.
Detalhes do crime e desdobramentos processuais
O caso, que chocou a capital mineira, envolve a morte do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76. Segundo a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Minas Gerais, a diarista teria dopado as vítimas com clonazepam misturado a um suco para facilitar o roubo de pertences no apartamento do casal.
A investigação aponta que, ao ser surpreendida pelo idoso, a suspeita teria utilizado uma faca para cometer o crime. Após as mortes, a acusada teria subtraído mais de R$ 19 mil em espécie, além de joias, relógios, eletrônicos e outros objetos de valor, parte dos quais foi comercializada no centro da cidade poucas horas depois. A diarista foi presa dois dias após o ocorrido, em um hotel na cidade de Itabira, conforme reportado pelo g1.
Enquanto o laudo psiquiátrico não é finalizado, o processo principal permanece paralisado em relação à ré. O juiz solicitou prioridade na avaliação, visto que Paola segue detida. O IML receberá todo o acervo documental, incluindo depoimentos e registros médicos, para subsidiar o parecer técnico que será determinante para o futuro da ação penal, que inclui acusações de latrocínio, fraude processual e furto mediante fraude.
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