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Ministério Público recomenda readmissão de aluno autista desligado de colégio militar em MG

Ministério Público recomenda readmissão de aluno autista desligado de colégio militar em MG
MP recomenda readmissão de aluno autista de 10 anos expulso de colégio militar em MG Reprodução EPTV

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) emitiu uma recomendação oficial solicitando a readmissão imediata de um estudante de 10 anos que foi desligado do Colégio Tiradentes da Polícia Militar, em Passos, no interior do estado. O aluno, que possui diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), foi afastado da instituição em julho deste ano, gerando um impasse jurídico e social sobre a inclusão escolar de crianças neurodivergentes.

Contexto de conflitos e diagnóstico escolar

A família do estudante relata que o ingresso na unidade ocorreu em abril de 2023. Segundo a mãe, que optou pelo anonimato para proteger a identidade do filho, o diagnóstico definitivo foi entregue à escola em agosto daquele mesmo ano, acompanhado de uma solicitação médica para a presença de um professor de apoio. A mãe afirma que a instituição demorou cerca de um ano e meio para atender à demanda por suporte especializado, período durante o qual o aluno teria passado a acumular advertências disciplinares.

A responsável alega que as punições aplicadas pela escola estariam relacionadas a comportamentos típicos da condição neurobiológica da criança. “Eu comecei a guardar tudo e percebi um padrão. Quando ia dando 58 dias, ele recebia uma ocorrência e me impossibilitava de receber uma recompensa positiva. Muitas delas tinham a ver com a neurodivergência dele”, relatou a mãe, sugerindo uma possível perseguição administrativa por parte da direção.

O estopim do desligamento e a intervenção legal

O desligamento definitivo aconteceu após a direção encontrar um gravador de áudio na mochila do aluno. A mãe admite ter colocado o aparelho no material escolar como uma medida de desespero, buscando monitorar o cotidiano do filho após ter tido negado o acesso a imagens das câmeras de segurança da escola. O caso foi levado ao Ministério Público, que passou a investigar a conduta da instituição.

O advogado Jefferson Faria, que representa a família, aponta falhas graves nos ritos disciplinares. “Por várias vezes nós suscitamos o cerceamento de defesa, porque deixaram de intimar o advogado devidamente constituído no processo. Isso fere de morte o processo”, afirmou o defensor, reforçando que a escola teria desconsiderado a condição clínica da criança ao aplicar sanções punitivas.

Determinação do Ministério Público e posicionamento oficial

Em sua recomendação ao comando do 12º Batalhão da Polícia Militar, o MPMG exige que sejam garantidas condições adequadas para o retorno e a permanência do aluno. O documento é enfático ao determinar a disponibilização de recursos pedagógicos específicos, incluindo a presença contínua de um profissional de apoio especializado. O órgão ministerial advertiu que o descumprimento da medida pode levar à judicialização e à responsabilização dos gestores envolvidos.

Em nota, a Polícia Militar de Minas Gerais informou que o caso está sob apreciação do Poder Judiciário. O Colégio Tiradentes afirmou que observará as determinações das autoridades competentes e prestará os esclarecimentos necessários dentro dos limites legais. A família, apesar do desgaste, mantém a esperança de que o ambiente escolar possa ser restaurado com o devido respeito às necessidades do estudante.

O Portal de Notícias do Kardec segue acompanhando os desdobramentos deste caso, comprometido em trazer informações precisas e relevantes sobre os direitos fundamentais e a educação inclusiva no Brasil. Para continuar bem informado sobre temas de impacto social e regional, acompanhe nossas atualizações diárias.

Para mais detalhes sobre a legislação de inclusão escolar, consulte o Estatuto da Pessoa com Deficiência.

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