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Consumo crônico de álcool e tabaco pode levar à cegueira, alertam especialistas

Consumo crônico de álcool e tabaco pode levar à cegueira, alertam especialistas
© Marcelo Camargo/Agência Brasil

O impacto do estilo de vida na saúde ocular

O consumo prolongado de álcool e tabaco vai muito além dos danos hepáticos ou pulmonares já amplamente difundidos. Especialistas alertam que o hábito crônico pode provocar um colapso na produção de energia das células responsáveis pela visão, resultando em danos graves e, em casos extremos, na cegueira. O alerta foi reforçado durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Salvador, que destacou a importância da neuro-oftalmologia na identificação precoce dessas patologias.

A neuro-oftalmologia atua na intersecção entre a neurologia e a oftalmologia, investigando como doenças do sistema nervoso central se manifestam através dos olhos. Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), o olho humano funciona como uma janela direta para o cérebro, permitindo que médicos observem o sistema nervoso central sem a necessidade de procedimentos invasivos, graças à conexão direta do nervo óptico.

Neuropatias tóxicas e o perigo do metanol

As neuropatias tóxicas, carenciais e hereditárias compõem um grupo de condições que exigem atenção médica imediata. O uso abusivo de substâncias como o álcool e o cigarro, além da exposição ao metanol, frequentemente encontrado em bebidas adulteradas, pode comprometer seriamente o trajeto que liga a retina ao córtex cerebral. A ingestão de metanol, especificamente, é considerada uma emergência médica, podendo causar desde visão turva e fotofobia até convulsões e coma.

Diferente de lesões traumáticas, as neuropatias causadas por toxinas apresentam um quadro clínico insidioso. A perda de visão costuma ser lenta, indolor e bilateral, o que frequentemente retarda a busca por ajuda profissional. Pacientes relatam a percepção de um borrão central, mantendo a visão periférica preservada, além de uma alteração perceptível na saturação das cores, onde tons de vermelho ganham um aspecto esmaecido.

A importância do diagnóstico precoce

O diagnóstico eficaz na neuro-oftalmologia começa com uma anamnese detalhada. De acordo com o Conselho Brasileiro de Oftalmologia, a conversa entre médico e paciente é o instrumento mais poderoso para identificar a origem do problema em cerca de 90% dos casos. Fatores como restrições alimentares, histórico de cirurgias bariátricas e o padrão de consumo de substâncias são fundamentais para o sucesso da investigação.

Após a avaliação clínica, tecnologias como a tomografia de coerência óptica (OCT) permitem medir a espessura das fibras nervosas com precisão micrométrica, detectando danos antes mesmo que o paciente note qualquer declínio visual. O tratamento, quando iniciado precocemente, pode envolver desde a suspensão imediata do agente tóxico e reposição vitamínica até intervenções de emergência para casos de intoxicação aguda.

Sinais de alerta e acompanhamento

A atenção aos sinais do corpo é vital. Sintomas como visão dupla que desaparece ao cobrir um dos olhos, pálpebras caídas, dores ao movimentar o globo ocular ou escurecimentos súbitos ao levantar-se devem ser avaliados por um especialista. A detecção precoce é o diferencial entre a recuperação da função visual e danos irreversíveis ao sistema nervoso.

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