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Mineração ilegal na Serra do Curral: PF indicia 17 em esquema bilionário de fraude ambiental

está minerando na Serra do Curral Lucas Franco/TV Globo
Reprodução G1

A Polícia Federal indiciou 17 pessoas suspeitas de envolvimento em um complexo esquema de mineração ilegal na Serra do Curral, em Belo Horizonte. A investigação, que culminou na Operação Parcours, revelou uma sofisticada rede que incluía empresários, servidores públicos, consultores e geólogos, todos com o objetivo de fraudar planos de recuperação ambiental para sustentar a exploração de minério de ferro na Mina Granja Corumi. O potencial de faturamento do grupo era estimado em impressionantes R$ 2,3 bilhões.

O inquérito, ao qual o Portal de Notícias do Kardec teve acesso, detalha como os envolvidos manipulavam documentos oficiais, transformando instrumentos de proteção ambiental em fachada para uma lucrativa extração mineral. Enquanto os órgãos fiscalizadores acreditavam que a área passava por um processo de recuperação, a mineração clandestina prosseguia, causando danos ambientais significativos em uma região de grande importância ecológica e histórica para Minas Gerais.

A Fraude Ambiental por Trás da Mineração Ilegal

No centro do esquema estava a deturpação de ferramentas essenciais para a sustentabilidade, como o Plano de Recuperação de Área Degradada (PRAD) e o Plano de Fechamento de Mina (PFM). Esses documentos, criados para mitigar impactos e restaurar ecossistemas, foram utilizados para justificar intervenções que, na realidade, visavam a extração comercial de minério de ferro.

A Polícia Federal aponta que geólogos e engenheiros eram peças-chave, produzindo relatórios e classificações técnicas fraudulentas para disfarçar a lavra ilegal. Paralelamente, servidores da Agência Nacional de Mineração (ANM) e de órgãos ambientais teriam facilitado a aprovação de pareceres e se omitido em processos de fiscalização, permitindo que a fraude se perpetuasse. Consultores atuavam como elos, intermediando o acesso a informações privilegiadas e agilizando a aprovação de documentos técnicos entre a empresa e os agentes públicos.

Danos Irreversíveis e Prejuízos à União

A atividade ilegal provocou uma série de impactos ambientais na Serra do Curral, uma área tombada e de valor inestimável. Entre os danos mais graves, o inquérito destaca a destruição da nascente do Córrego Taquaril, um recurso hídrico vital para a região. Além disso, foram identificadas a abertura de cavas fora dos limites autorizados, a ausência de recuperação da vegetação nativa e potenciais prejuízos ao lençol freático, comprometendo a biodiversidade e os recursos hídricos locais.

Os prejuízos não se limitaram ao meio ambiente. A investigação estima que a União sofreu um impacto financeiro de R$ 832 milhões devido à atuação do grupo. Esse valor reflete não apenas a exploração indevida de bens públicos, mas também a evasão de impostos e taxas que deveriam ser recolhidos pela atividade minerária.

A Teia da Organização Criminosa e Seus Envolvidos

A Operação Parcours desvendou uma complexa organização criminosa que operava desde 2014. A empresa Empabra (Empresa de Mineração Pau Branco) é citada como a principal beneficiária das fraudes, utilizando o PRAD aprovado em 2008 como uma “fachada” para expandir a exploração mineral, em vez de apenas remover rejeitos acumulados. Outra empresa, a Fleurs Global Mineração, foi apontada como responsável pelo beneficiamento e escoamento do minério extraído ilegalmente.

Os 17 indiciados pela Polícia Federal enfrentarão acusações graves, que incluem crimes como organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica, crimes ambientais e usurpação de bens da União. A amplitude das acusações demonstra a complexidade e a gravidade das ações perpetradas pelo grupo.

Operação Parcours: Cronologia e Desdobramentos

A Operação Parcours foi deflagrada em março de 2025, com a colaboração da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF). Na ocasião, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em Belo Horizonte, São Paulo e Brasília, visando desarticular a rede criminosa. Como parte das medidas cautelares, houve o bloqueio de bens dos investigados, o afastamento de servidores da Agência Nacional de Mineração e a suspensão das atividades da mineradora envolvida.

As perícias da PF e as auditorias da CGU foram cruciais para comprovar que, em vez de uma recuperação, a Empabra abria grandes cavas para extrair minério diretamente do solo, avançando para áreas não autorizadas. O inquérito foi agora encaminhado ao Ministério Público Federal, que avaliará a apresentação de denúncia à Justiça, dando prosseguimento ao processo legal.

O Que Dizem os Envolvidos e Próximos Passos

Em nota anterior, a Empabra declarou que sempre agiu dentro da legalidade e que todas as suas atividades na Mina Corumi foram devidamente autorizadas. A empresa afirmou que a remoção de material depositado na mina foi uma medida de segurança ambiental e reiterou seu compromisso com o fechamento definitivo e a recuperação ambiental do local. A Agência Nacional de Mineração, por sua vez, informou que colabora com as autoridades e cumpriu todas as determinações judiciais.

O Portal de Notícias do Kardec entrou em contato com a Empabra e a ANM para obter novas declarações, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem. A sociedade aguarda os próximos passos do Ministério Público Federal e da Justiça para que os responsáveis por essa grave mineração ilegal e fraude ambiental na Serra do Curral sejam devidamente responsabilizados, e para que medidas eficazes de proteção ao patrimônio natural sejam reforçadas.

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