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Após aval na CCJ, tramitação da PEC que reduz maioridade penal avança no Congresso

© Lula Marques/ Agência Brasil
© Lula Marques/ Agência Brasil

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados deu um passo significativo nesta quarta-feira (10) ao aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa reduzir a maioridade penal de 18 para 16 anos. A decisão, que contou com 44 votos favoráveis e 18 contrários, reacende um dos debates mais polarizados da política brasileira, com profundas implicações sociais e jurídicas.

Embora a aprovação na CCJ represente um avanço para os defensores da medida, o caminho para que a proposta se torne lei ainda é longo e complexo. O projeto, que tramita há mais de uma década, enfrentará diversas etapas legislativas antes de uma eventual promulgação, refletindo a cautela e a necessidade de amplo consenso em temas de tamanha relevância para a sociedade.

O intrincado caminho legislativo da maioridade penal

A aprovação na Comissão de Constituição e Justiça é apenas o primeiro de muitos degraus. Diferentemente de projetos de lei ordinários, uma Proposta de Emenda à Constituição exige um rito mais rigoroso, desenhado para garantir que mudanças na Carta Magna sejam amplamente discutidas e representem a vontade da maioria qualificada do Congresso Nacional.

O próximo passo crucial será a criação de uma Comissão Especial temporária, a ser instituída por ato da Mesa Diretora da Câmara. Esta comissão terá a responsabilidade de analisar o mérito da proposta, ir além da constitucionalidade e aprofundar-se nas consequências práticas da redução da maioridade penal. Durante esse período, parlamentares poderão promover audiências públicas, ouvir especialistas, representantes da sociedade civil e propor modificações adicionais ao texto original, buscando aprimorar ou adequar a medida às demandas e realidades do país. Ao final dos trabalhos, a Comissão Especial votará um relatório final.

Caso a proposta obtenha aprovação na Comissão Especial, ela será então encaminhada para deliberação no Plenário da Câmara dos Deputados. Por se tratar de uma PEC, a matéria exige um quórum qualificado: o apoio mínimo de três quintos dos deputados, o que corresponde a 308 dos 513 parlamentares, em dois turnos de votação. Atingir esse número em ambas as votações é um desafio considerável, que demanda intensa articulação política e demonstração de força dos grupos favoráveis.

Se aprovada na Câmara, a PEC não se torna lei imediatamente. Ela segue para o Senado Federal, onde passará por um rito semelhante, incluindo a análise por comissões e, posteriormente, a votação em Plenário, também exigindo o apoio de três quintos dos senadores em dois turnos. Somente após a aprovação em ambas as Casas do Congresso, sem alterações, a emenda constitucional poderá ser promulgada.

Uma década de debates e modificações

A Proposta de Emenda à Constituição em questão, a PEC 32/2015, tem uma longa trajetória no Legislativo brasileiro. Apresentada originalmente em maio de 2015 pelo então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE) e outros parlamentares, a intenção inicial era estabelecer a “plena maioridade civil e penal aos 16 anos de idade”. Desde então, a proposta permaneceu sob análise na CCJ, onde sua constitucionalidade foi o foco principal.

Ao longo de 11 anos, a PEC teve, pelo menos, três relatores diferentes e chegou a ser arquivada pela Mesa Diretora em 2019, um indicativo das dificuldades e da resistência que o tema enfrenta. O debate em torno do texto foi intensificado nos últimos meses, culminando na leitura do parecer favorável à admissibilidade jurídica da matéria pelo relator atual na comissão, deputado Coronel Assis (PL-MT), no final de maio. A votação final na CCJ ocorreu após a rejeição de requerimentos de adiamento apresentados por parlamentares da oposição, que tentavam postergar a decisão.

O foco na maioridade penal e a preservação dos direitos civis

É importante destacar que o texto aprovado na CCJ difere da proposta original em um ponto crucial. Enquanto o projeto inicial propunha uma maioridade plena (civil e penal), o relator apresentou um substitutivo que preserva as regras cíveis atuais. Isso significa que, caso a PEC seja aprovada em todas as instâncias, os direitos políticos e a maioridade civil dos jovens não serão afetados.

Dessa forma, o alistamento eleitoral e o exercício do voto continuarão facultativos aos 16 anos e obrigatórios somente a partir dos 18 anos de idade. A alteração se concentraria exclusivamente na esfera penal, buscando responsabilizar criminalmente adolescentes a partir dos 16 anos por determinados delitos, um ponto central da argumentação de seus defensores.

Durante a tramitação na CCJ, deputados favoráveis ao projeto argumentaram que a medida atende a demandas sociais por segurança pública e por uma maior responsabilização penal de jovens que cometem crimes graves. Eles defendem que a idade atual não reflete a maturidade e a capacidade de discernimento de adolescentes envolvidos em atos infracionais. Por outro lado, parlamentares contrários sustentaram que a redução da maioridade penal viola direitos fundamentais previstos na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), defendendo que o foco deveria estar em políticas públicas educacionais, de prevenção e de ressocialização, em vez de medidas punitivas que poderiam agravar a situação de vulnerabilidade desses jovens.

O debate sobre a maioridade penal é um espelho das tensões entre a busca por segurança e a proteção dos direitos humanos no Brasil. O Portal de Notícias do Kardec continuará acompanhando de perto os desdobramentos dessa proposta no Congresso Nacional, trazendo análises aprofundadas e informações atualizadas sobre este e outros temas que impactam diretamente a vida dos brasileiros. Mantenha-se informado com a credibilidade e a variedade de temas que só o nosso portal oferece.

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