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Davi Alcolumbre mantém PEC do fim da escala 6×1 travada no Senado

© Lula Marques/Agência Brasil.
© Lula Marques/Agência Brasil.

A tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa encerrar a jornada de trabalho na escala 6×1 no Brasil enfrenta um impasse estratégico no Senado Federal. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), tem mantido o texto sob sua guarda na Mesa Diretora, evitando o despacho para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que tem gerado cobranças de parlamentares governistas e movimentado os bastidores do Legislativo.

O impasse na agenda legislativa

A expectativa de que a matéria ganhasse celeridade após as discussões iniciais foi frustrada pelo cancelamento de reuniões cruciais. O senador Otto Alencar (PSD-BA), presidente da CCJ, confirmou que não recebeu orientações sobre o envio da proposta, e o encontro semanal de líderes, espaço onde o tema poderia ser pautado, não foi convocado por Alcolumbre. Até o momento, a assessoria do presidente do Senado não se manifestou sobre o cronograma de tramitação.

A proposta, que busca instituir a jornada de 40 horas semanais com dois dias de descanso remunerado, tornou-se um ponto de fricção política. Enquanto a base governista pressiona por uma votação ainda neste semestre, antes do recesso parlamentar previsto para o dia 18 de julho, setores da oposição e lideranças econômicas demonstram cautela quanto aos possíveis impactos fiscais e produtivos da mudança.

Cálculo político em ano eleitoral

Para especialistas, a postura de Alcolumbre reflete a complexidade de gerir temas de alto impacto social em um período eleitoral. A cientista política Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), aponta que as lideranças políticas tendem a administrar o tempo de discussão para evitar a exposição a desgastes imediatos. O controle sobre o ritmo da pauta permite que o presidente do Senado mantenha o tema sob sua esfera de influência, enquanto as negociações avançam nos bastidores.

O debate é marcado por divergências técnicas. Estudos sobre os efeitos da redução da jornada no Produto Interno Bruto (PIB) e na inflação apresentam resultados variados, o que alimenta o argumento daqueles que pedem cautela. Enquanto senadores como Teresa Leitão (PT-PE) defendem a pauta como uma medida de civilidade e valorização do trabalhador, vozes como a de Hermes Klann (PL-SC) questionam a viabilidade financeira da transição.

Contraste na pauta do Senado

A seletividade na escolha das matérias também tem sido alvo de críticas. Alcolumbre justificou a não priorização de projetos como o piso salarial dos garis, argumentando que pautar demandas específicas de categorias poderia criar um efeito cascata de gastos públicos em um ano de restrições orçamentárias. Contudo, a aprovação recente do projeto que utiliza o Fundo Social do Pré-sal para financiar dívidas do agronegócio — com impacto fiscal estimado em R$ 140 bilhões em uma década — evidenciou a divergência de critérios na condução da pauta.

O governo federal, por meio do Ministério da Fazenda, expressou preocupação com o impacto dessa medida no orçamento e sinalizou que buscará ajustes na Câmara dos Deputados, não descartando recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF). O cenário reforça que, embora a PEC do fim da 6×1 possua forte apelo popular, sua trajetória no Senado depende de uma complexa articulação política que ainda busca um consenso entre o custo fiscal e a demanda social.

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