A cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais, registrou a primeira morte confirmada por hepatite A em 2026, reacendendo o debate sobre a saúde pública e os riscos associados a desastres naturais. A vítima, Ângela Cristina Terra Pinto, uma cuidadora de idosos de 60 anos, faleceu em 30 de abril, deixando a família com a forte convicção de que o contágio ocorreu durante um ato de solidariedade. Segundo a filha, Thaís Terra, Ângela teria se exposto ao vírus ao ajudar uma amiga após um temporal histórico que atingiu o bairro Santa Luzia em fevereiro.
O caso de Ângela ganha destaque em um momento em que Juiz de Fora enfrenta um aumento expressivo nos registros da doença, contabilizando 808 casos até o fim de abril, o maior número em todo o estado de Minas Gerais no ano. A narrativa da família não apenas humaniza as estatísticas, mas também levanta questões importantes sobre a prevenção e a resposta a emergências em áreas vulneráveis a inundações.
Um gesto de ajuda em meio à enchente e a suspeita de contágio
Conhecida por sua generosidade e disposição em auxiliar o próximo, Ângela Cristina Terra Pinto era uma figura querida no bairro Santa Luzia. Sua filha, Thaís, descreve a mãe como alguém que sempre priorizava a ajuda a vizinhos, especialmente em momentos de dificuldade. Foi nesse espírito que, em 24 de fevereiro, cerca de dois meses antes do surgimento dos primeiros sintomas, Ângela saiu de casa para socorrer uma amiga afetada por uma forte enchente.
“Minha mãe morava em Santa Luzia e o bairro sempre alaga. Quando a água abaixava, ela já saía correndo para ajudar todo mundo. Ela pensava muito mais no próximo do que nela mesma”, relembrou Thaís. A situação na casa da amiga era crítica, com a água atingindo a cintura, e, embora Ângela tenha relatado a falta de luz e as dificuldades para agir, a família acredita que ela tenha participado ativamente da limpeza do local. Esse contato com a água contaminada e a lama é apontado como o provável momento do contágio, dado o período de incubação da hepatite A, que varia de 15 a 50 dias, podendo se estender.
A rápida progressão da doença e o desfecho trágico
Os primeiros sinais de mal-estar em Ângela surgiram em 23 de abril. O quadro evoluiu rapidamente, levando à sua internação na UPA Santa Luzia em 27 de abril, com vômitos e uma piora acelerada. No dia seguinte, 28 de abril, devido ao agravamento das condições renal e neurológica, ela foi transferida para o Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ).
A confirmação da hepatite A veio em 12 de maio, após resultado positivo de análise laboratorial. Contudo, a doença já havia progredido para um estágio crítico. Na madrugada de 30 de abril, Ângela Cristina Terra Pinto faleceu em decorrência de falência hepática e sepse, deixando um vazio na vida de suas duas filhas e de seu neto de 8 anos. A Prefeitura de Juiz de Fora informou que o óbito segue em investigação epidemiológica, considerando o quadro clínico e os antecedentes para determinar a causa oficial da morte.
Hepatite A em Juiz de Fora: um cenário de alerta e a investigação oficial
O caso de Ângela Cristina Terra Pinto se insere em um contexto preocupante para a saúde pública de Juiz de Fora. Com 808 casos confirmados de hepatite A até o fim de abril de 2026, a cidade concentra mais de 70% dos registros de todo o estado de Minas Gerais. Esse número alarmante supera o total acumulado na cidade nos últimos 10 anos, indicando uma situação de alerta que abrange todas as regiões, com maior concentração no Centro e na Zona Sul.
A hepatite A é uma inflamação do fígado causada pelo vírus VHA, transmitida principalmente por via fecal-oral, ou seja, pelo consumo de água ou alimentos contaminados, ou pelo contato direto com pessoas infectadas. A doença pode variar de leve a grave, com sintomas como febre, fadiga, náuseas, vômitos, dor abdominal, urina escura e icterícia (pele e olhos amarelados). Em casos mais graves, como o de Ângela, pode levar à falência hepática e óbito.
Apesar dos números expressivos, a Prefeitura de Juiz de Fora, em nota, reiterou que a cidade não vive um cenário de surto, apontando uma queda média de 32% entre as cinco últimas semanas epidemiológicas, o que indicaria uma tendência de redução. No entanto, a investigação de óbitos como o de Ângela e o monitoramento contínuo dos casos são cruciais para compreender a dinâmica da doença e implementar medidas eficazes de prevenção e controle. Para mais informações sobre a doença, consulte fontes confiáveis como o Ministério da Saúde.
A história de Ângela Cristina Terra Pinto é um lembrete pungente dos riscos invisíveis que podem surgir em meio a atos de bondade e da importância da atenção à saúde em situações de vulnerabilidade. O Portal de Notícias do Kardec continuará acompanhando os desdobramentos deste caso e a situação da hepatite A em Juiz de Fora, oferecendo informação relevante, atual e contextualizada para nossos leitores.